Eu
te espio com os olhos molhados
Tuas
ondas mais secretas
Estouram
no meu peito
Bravio
mar portátil
Com
gosto de pedra-sabão
Infeliz
do que não te espia
Mar
Lenheiro e oceano.
(Gostamos do azul, 1963,
p. 22).
Começo com o que
vou chamar, aqui, de confissão de uma desobediência. Em 1981, meados de março
ou abril, então aluno do curso de Filosofia no Seminário Maior São José, em
Mariana, descobri numa revista de literatura, uma relação do pessoal da
Academia Brasileira de Letras, com nome e endereço de cada acadêmico. E já
tendo ouvido falar em Tristão de Atayde – Alceu Amoroso Lima – patrono do
Grêmio Literário Tristão de Atayde em Ouro Preto, decidi, num destes impulsos que
acometem os jovens, escrever ao crítico literário, enviando-lhe, por pura
ousadia, alguns textos. Estava em férias de fim de ano, quando recebi pelos
Correios um envelope manuscrito com o endereço de Botafogo, Rio de Janeiro.
Engraçado me pareceu à primeira vista, porque não me ocorria conhecer ninguém
do Rio. Abri o envelope que me era endereçado e tive a grata surpresa de
receber um manuscrito em folha dupla de papel almaço de Alceu Amoroso Lima. Mas
aquelas linhas continham também uma grande decepção para minhas pretensões a
escritor ou poeta, ou alguma outra desculpa que me tirasse de Mariana. Disse-me
Alceu: “Meu caro Nilo, o Brasil tem poetas de mais e padres de menos.
Dedique-se à sua vocação, porque pela amostra o caminho das letras pode ser
mais longo”. Foi um arraso! Eu quis, a princípio, não escrever uma palavra mais
e me envergonhei de tudo que havia escrito antes, embora nem fosse tanto ainda.
Talvez tivesse desejado que o mundo se acabasse em borracha para que pudesse
apagar toda escrita que eu havia cometido até aquele dia. Era-me pesado demais.
Tinha que arranjar um jeito de alguma leveza possível. E, ao longo do tempo,
aquele oráculo foi se transformando num grande troféu, alguma espécie de prêmio
literário que a literatura estaria ganhando pela desistência de mais um
aventureiro. E decidi desobedecer. Dediquei-me à minha vocação, mas fui embora
do Seminário. No entanto, ainda tomo a exatidão de sua fala como o que mais me
move a escrever. Escrever tem-me sido, portanto, a ousadia diária, de
continuar, enquanto ousar a escrever, a desafiar o meu mestre. Pena que acabei
perdendo esta peça histórica; entretanto, nunca me sai do pensamento cada uma
de suas linhas.
Eis, hoje, mais um dia, mais uma
página desta minha ousadia de desafiar o meu mestre. Mas como o próprio Alceu
de Amoroso Lima disse, em A voz de Minas,
todo mineiro é feito de pequenas raivas, eis aqui também mais uma página deste
desafio diário, desta raiva, desta agressividade imprescindível ao exercício de
minha escrita.
Dito isto, duas citações, aliás, três, me ocorrem, ainda, no início deste
texto: uma primeira é a passagem do livro Rimas
da vida e da morte, de Amós Oz. Quero me referir hoje especificamente à
fala de uma das personagens, um escritor israelense que durante uma conferência
sobre literatura se dirige a uma moça que lê num determinado momento fragmentos
de um de seus livros. E ele diz:
...na verdade, eu ficaria muito
satisfeito se em lugar de todo esse falatório eles simplesmente lhe permitissem
ler a noite inteira, ou seja, eu gostaria que esta noite fosse somente um
recital de leitura, em vez de todo esse palavreado, em vez das interpretações e
análises. [...]
Porque você lê minhas palavras lá
de dentro, você lê como se estivesse dentro do livro e não apenas a segurá-lo
aberto diante dos olhos.
(OZ, Amós, 2008, p. 37)
A segunda
citação se refere ao fragmento de uma carta que Mário de Andrade escreve a
Manuel Bandeira em 1922, em
que Mário diz ao amigo:
Para mim a melhor homenagem que se
pode fazer a um artista é discutir-lhe as realizações, procurar penetrar nelas,
e dizer francamente o que se pensa.
(ANDRADE, apud MORAES,
2001, p. 23).
No entanto, há uma amiga que sempre me repete que melhor do que a palavra
escrita ali na página, são as palavras que nos dizem diretamente. E explica:
Há pessoas que ofertam palavras escritas. Prefiro as que me
são ditas. O tom da voz, o movimento dos olhos, a linhagem do corpo, a
respiração e, por fim um abraço, um beijo, uma lágrima, e até aquele
acanhamento de não-saber-onde-pôr-a-mão um no outro. O silêncio. Adoro destas
sensações de quando me vêm e dizem, sem o risco da entrelinha. Será que não há
entrelinhas na fala? Pode ser ilusão. Ainda a prefiro aos textos. Por isso
tenho aceitado o aprendizado. Como recusar uma página dele?
Na verdade, é mesmo um habitar as palavras lá dentro delas e não apenas
como se elas fossem um objeto ao exterior dos sentidos que se desejam
significados por elas.
E por que não dizer também como José Castello numa resenha do livro “Um
experimento na crítica literária”, do escritor irlandês Clive Staples Lewis –
ler não como quem disseca, mas como quem ressuscita o que lê. Numa prova de que
“a literatura não exige perícia, ou força; exige, ao contrário, desarme e
paixão”. Afinal, conclui Castello, “escritores não dão lições, nem defendem
teses; eles descerram janelas, abrem caminhos, fundam mundos novos”.
Na malha destes textos é que procuro
certo fundamento para o que pretendo dizer aqui, já que as palavras ditas podem
ser preferidas, pelo menos em determinados momentos, às escritas. Por isso,
aproprio-me deste mesmo princípio contido na conversa entre Mário de Andrade e
Manuel Bandeira, retomando-o qual procedi na tarde de 14 de abril de 2004
diante da comunidade acadêmica da UFMG, representada pela banca do Mestrado em
Teoria da Literatura, quando iniciava a defesa de minha Dissertação abordando a
obra de Oranice Franco, para reiterar hoje o que continua me motivando no
estudo de sua obra: discutir-lhe as realizações e dizer francamente o que penso
sobre elas.
Melhor não seria ficar ouvindo os
textos de Oranice Franco, permitindo-lhes dizer os dentro de cada palavra?
Certamente. Mas precisamos fazer deste espaço, além da escuta de alguns
fragmentos de seu texto, um lugar de dizer também o que pensamos sobre a obra
de Oranice Franco. Talvez se inaugure por este instante histórico o gosto por
lhe habitar as palavras que poderão ser ditas assim à flor da pele e da voz.
Gostaria, em primeiro lugar, de
dizer aqui, da honra que todos me conferem admitindo-me no seio dessa
Instituição tão importante para história, a literatura e a cultura
são-joanense. Sobretudo, quando me é dada a oportunidade histórica de estar inaugurando
neste momento o nome de Oranice Franco como patrono da Cadeira 40 dessa Casa,
num reconhecimento da paixão desse poeta, escritor, jornalista e radialista por
essa cidade, sua história e sua gente, levando-as por onde esteve e, acima de
tudo, fazendo delas o fundamento de sua literatura. Tanto quanto a alegria de
estar iniciando hoje a primeira fala de outras que me sucederão na defesa do
patrono dessa Cadeira.
A Academia de Letras de São João
del-Rei, fundada em 8 de dezembro de 1970 e tendo sido instalada em 21 de
janeiro de 1971, reconhecida em 1979, tanto no Município quanto no Estado de
Minas Gerais como instituição de utilidade pública, que visa o estudo, a
preservação e a divulgação do patrimônio literário, histórico e cultural de São
João del-Rei, na sua conexão com o estado e o país. Fico imaginando o que
minhas pesquisas, minha formação; o que a minha produção, a minha desobediência
diária ao meu mestre podem contribuir para que os objetivos desta instituição
sejam sempre atingidos? Aliadas às pesquisas que visam o estudo, a preservação
e a divulgação da obra de Oranice Franco, colocar em cena também o que venho
realizando nesses anos todos em que me tenho dedicado à literatura. Alguns
textos, já de reconhecimento por causa de participações em eventos literários,
outros em programas como literatura
itinerante, da Universidade Federal e São João del-Rei. E textos críticos
que têm sido publicados em revistas, sites e jornais, versando sobre a área de
atuação de minha formação acadêmica. O olhar crítico, porém, sem a rejeição do
primeiro livro – Menino só invento: o
guardador de canavial e a quase realizada publicação do Às vezes nem é o caso de usar palavras.
Reconheço o trabalho e a abnegação muitas vezes da vida pessoal pela
dedicação a essa instituição de cada um dos confrades e confreiras que aqui nos
reunimos. O prazer de conviver com tantos mestres, amigos das diversas áreas do
conhecimento: artes, literatura, direito, jornalismo, medicina, linguística,
religiosidade, política, magistério, todos empenhados nos rumos da cultura em
nossa cidade, tarefa nem sempre fácil, considerando ainda o ineficiente
investimento na cultura, que, de maneira desigual, continua privilegiando
alguns setores em detrimento quase absoluto de outros.
Permitam-me ressaltar aqui três amigos confrades, que sempre estiveram
mais diretamente envolvidos na minha eleição para essa Casa: Professor José
Antônio de Ávila Sacramento, Professor Oyama Ramalho e o Poeta Eric Ponty. Ao
Eric, aliás, o agradecimento também no sentido de me ter sempre
disponibilizado, mais do que todo o acervo de Oranice Franco, o trânsito por
sua casa, possibilitando, assim, a continuação das pesquisas ainda em andamento. Muito
obrigado Eric, Seu Vicente, Dona Aline, e Heverton pelo reconhecimento dos
estudos que desenvolvo, pela confiança e empenho de todos na preservação,
estudos e divulgação da obra de Oranice Franco.
E ainda um agradecimento especial ao
confrade Professor Artur Cláudio da Costa Moreira, que já havia anteriormente
escolhido a Cadeira 40, mas que sabendo de todo meu envolvimento com a obra de
Oranice Franco, num gesto de profunda abnegação, reconhecimento e amizade se
prontificou a cedê-la para eu a ocupasse.
Por fim, a todos os confrades e
confreiras, que me acolhem nessa Casa. Eu, um cidadão, por nascimento,
pontenovense, mas por envolvimento histórico e cultural trazendo na alma as
cidadanias de Urucânia, onde descobri por meio da sabedoria simples de minha
avô que me presenteou no meu aniversário de dez anos com um caderno, dizia ela
“para as suas garatujas com verbo” e pela dedicação da Professora Maria da
Glória Pinto Mayrink (Glorinha) a vocação para as letras. Teria minha vó
previsto minha desobediência ao Alceu de Amoroso Lima, continuando pela vida
minhas garatujas com verbo? De Mariana, onde vivi minha infância e juventude
entre os muros de seus Seminários e desenvolvi o gosto pelos estudos da língua,
da literatura e da oratória nos palcos do saudoso Grêmio Literário Antonino
(que reunia os menores), Grêmio Literário Luiziano (que reunia os maiores) e
Grêmio Filosófico-teológico João Paulo I (esse no Seminário Maior). E, agora,
de São João del-Rei, que ao me acolher, tanto quanto a tantos que vimos de
fora, prova que senão uma minoria, equivocadamente, nesses tempos de
territórios sem fronteiras geográfica ou cultural, defendem uma cidade e uma
cultura feita apenas no âmbito da pertinência geográfica de um município, como
se São João del-Rei não fosse desde o seu nascimento e por vocação uma cidade
conectada ao mundo. Uma cidade que tem o mundo em trânsito por suas ruas,
ladeiras e becos. Uma cidade que, ao mesmo tempo, habita e é habitada por
tantas outras culturas que compõem a especificidade de sua tradição
multiculural.
De fato, a melhor homenagem que devo
a Oranice Franco e a melhor defesa de seu nome nessa Casa das Letras e da
Cultura é exatamente a pesquisa, a discussão e a ousadia de estar dizendo
sempre e em espacial, aqui, o que francamente penso sobre a sua obra, sobre o
seu processo de criação, até porque todo esforço significará sempre a
continuidade desses estudos considerando a multiplicidade de conexões que ela
apresenta com a história, a literatura e a cultura de Minas, São João del-Rei
em especial, mas também do Rio de Janeiro, onde longe da província, o escritor
viveu a sua diáspora que tanto impôs a tantos mineiros certo exílio.
Um dos aspectos mais relevantes do estudo do acervo de Oranice é a
possibilidade que se nos apresenta de estar reescrevendo a historiografia
literária numa abordagem que privilegia uma leitura que se faz das margens para
o centro do que sempre consideramos Literatura. Um deslocamento, como ressalta
Milton Hatoun, da periferia para vários centros (o centro, segundo ele, é
sempre plural), desejo de deixar a margem e navegar no rio de uma outra cultura
ou sociedade, ou de escrever as margens no interior dos centros.
Oranice Franco é mineiro de Lima
Duarte, onde nasceu em 2 de novembro de 1919. Filho de Luiz Gonzaga Franco e de
Alice Baumgratz Franco. Era o irmão mais novo de Berenice, Doralice e Clarice.
Ainda na infância, sua família veio morar em São João del-Rei, daí a
sua paixão pela cidade, por sua história, sua gente, sua cultura. Sua paixão
por Minas Gerais descoberta a partir de São João del-Rei. E, mais tarde, seu
grande interesse pelo jornalismo, concebido como um exercício, ou
inconscientemente, penso, como laboratório que lhe acenava com a possibilidade
de reinvenção pela escrita, pela literatura, da multiplicidade desses
sentimentos e dessa territorialidade, geográfica e culturalmente de fronteiras
volúveis.
No final da década de 30, atraído
pela intensa vida intelectual na capital mineira, numa leitura mais tardia de
si mesmo, confessa num artigo publicado no 2º
Anuário do Rádio, em 1946 – “com os primeiros fios de barba, achei que era
tempo de criar juízo. Arrumei as malas e fui para Belo Horizonte. Na capital
mineira me ajuntei a outros poetas e desandei”. Nesse período, convive com
Murilo Rubião, Nilo Aparecida Pinto, Guilhermino César, Otto Lara Resende, Paulo
Mendes Campos, João Etienne Filho, Rosário Fusco, entre outros que viviam a
Belo Horizonte do início da década de 40, tão importante para o cenário
intelectual e literário de Minas Gerais.
No entanto, como o seu interesse era
o jornalismo, mesmo tendo trabalhado como articulista na Folha de Minas e na revista A
Mensagem, regressou a São João del-Rei, partindo imediatamente, pode-se
dizer, para o Rio de Janeiro, sendo admitido na Rádio Nacional já em abril de
1940. Aí permaneceu até sua aposentadoria em 1982 produzindo programas de rádio
e escrevendo radionovelas com Ghiaroni, Mário Brassini, Alziro Zarur e Pedro
Anísio, quando, então, volta definitivamente para São João del-Rei, onde morre
em 2 de novembro de 1999, em sua residência na Av. 8 de dezembro, deixada em
testamento para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, de São João
del-Rei, num gesto de profunda abnegação que sempre o caracterizou.
A vida de Oranice descreve a
trajetória de um intelectual mineiro por umas das fases históricas mais
importantes desse país. Não apenas do ponto de vista dos anos de ouro do rádio
no Brasil, como também trabalhando num dos principais órgãos de comunicação –
Rádio Nacional – experimentou todas as nuanças deste período, como a paixão por
um jornalismo que se dedicou à construção de uma pátria livre, soberana,
democrática e que se lhe mostrou como laboratório das letras – literatura,
língua e cultura. Por outro lado, viveu também os problemas de um período de
cinzentos dias de chumbo, que lhe custaram uma demissão da Rádio Nacional por
solidariedade a inúmeros companheiros e amigos que sentiam mais diretamente o
peso desses dias, inclusive o próprio Mário Lago. Ele que exercia cargo de
diretor na Rádio e que se quisesse poderia ter ficado ileso a tantos percalços
que, no entanto, preferiu viver em razão de seu apreço pelos amigos.
Este
aspecto de sua biografia ainda permanece como um veio de pesquisa, cujo acesso
tem-se apresentado mais difícil às investigações, porque não consta muito
claramente de documentos em seu acervo e pela resistência e certo silêncio por
parte da Rádio Nacional que, apesar de nossa insistência, só recentemente se
prontificou a uma mínima manifestação respondendo – não encontramos registro –
quando perguntamos acerca de uma possível entrevista que Oranice teria feito
com Clarice Lispector na Rádio Nacional. E também, porque, ao que ainda
continua me parecendo, Oranice manteve este período distante do seu projeto
literário – as crônicas talvez nos apresentem um caminho de investigação menos
inexato – até como forma de resistência a estes anos que prefere manter no
exílio da pertinência geográfica e histórica de sua Lagoa Mansa, que reitera a
vocação de Minas pela liberdade. E, além disto, havia um outro motivo: os
escritores de radionovela sempre foram acusados de produzir subliteratura,
de não contribuir para a elevação do nível cultural do país. Assim esclarecia
Ghiaroni a Lia Calabre numa entrevista em 2006:
... nós que vivíamos
cheios de literatura e que freqüentávamos o bar Amarelinho. Nós tínhamos um
certo desprezo pelo literato do rádio. Nós considerávamos, como todos os
outros, que fazer rádio era fazer subliteratura e que o escriba de rádio era um
escritor de segunda categoria, meio maldito e tal, o que eu acabei sendo.
Curiosamente quando comecei a trabalhar na Rádio Nacional, por exemplo, eu,
Oranice Franco, um outro amigo nosso, o João Távora, vivíamos cheios de idéias
literárias, querendo publicar livros e, em suma, invadir o mundo editorial. Nós
lamentamos muito. Ir para o rádio era se perder, era como, por exemplo, do
ponto de vista do teatro clássico, alguém que dá para o teatro rebolado. De
certa forma esse preconceito em certas áreas ainda permaneceu até que se
reformulou o conceito do que é comunicação, se viu que realmente é cultural,
que é integração com a vida, com a alma coletividade um povo (GHIARONI, In.:
CALABRE, Lia, 2003, p. 6).
Apesar de toda essa dificuldade,
Oranice Franco produziu e publicou uma extensa obra, abrangendo poesia, contos,
crônicas, radionovelas, e recentemente, descobriu-se que também escrevia textos
de publicidade que eram veiculados nos intervalos dos programas na Rádio
Nacional. Todavia, sua produção sempre teve uma distribuição irregular,
atingindo um público muito reduzido, embora tenha sido lido pela crítica
especializada (Manuel Bandeira, Alceu de Amoroso Lima, Fausto Cunha, Dantas
Motta, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Lincoln de Souza, Mário Donato,
Murilo Rubião, Otto Lara Resende, Ronaldo Simões Coelho, dentre outros), o que
faz dele um escritor praticamente inédito, sobretudo entre nós.
Eis um panorama de sua produção literária que entendo ser necessário e
oportuno neste momento:
I - Obras do
autor:
a) Poesia
1 - Minha rua de
Minas (A Noite, 1949)
2 - O poço da
memória (A Noite, 1952)
3 - Mares de
Minas (A Noite, 1954)
4 - Gostamos de
azul (Irmãos Pongeti, 1963)
5 - Oranice`s
(Conquista, 1982)
O conjunto desta obra poética
recebeu de nossa pesquisa uma leitura inaugural que consta do ensaio Mar Lenheiro, um cais, uma Minas, o mundo:
considerações sobre a poesia de Oranice Franco. Vertentes. São João del-Rei, Edição Especial – 20 Anos,
p. 80-96, 2007) em que procuro destacar sete categorias de uma
possível carta marítima que nos inicia pelos mares de sua poesia.
A primeira categoria é a que chamamos estratégias
de fuga – nela se destaca a problematização da diáspora vivida pelo poeta
que, de certa forma, torna-o partícipe de uma espécie de herança gauche a disseminar o mineiro por outras
pertinências geográficas – Oranice viveu de 1940 a 1982 no Rio de
Janeiro.
Caminhamos num mundo torto por estradas
tortas,
Nosso anjo-da-guarda tem cheiro de enxofre,
Nem uma luz iluminando a nossa senda,
Nem um barco em alto mar
(MRM,
p. 28-29).
A revisitação do passado não apenas
em função de uma busca, mas da tentativa de uma reconstrução poética do tempo
perdido num esforço por criar uma conexão do presente capaz de desconstruir
essa imobilidade temporal – são os remansos
da memória.
Desço ao poço da memória
Em busca aflita do tempo
Do tempo que já passou.
Apaga-se a luz do dia
(PM,
54).
Na terceira categoria se destaca o movimento de uma liquidez conforme o desejo – por ele, lê-se a força d’água dos
mares de Minas. É quando o poeta se diz sentir líquido no afã por se desaguar
na correnteza do seu desejo de Minas. Um desejo que não é apenas da Minas
territorial, mas da Minas que encerra a própria função da literatura como
criadora de uma transterritorialidade possível.
Benditos mares, benditos mares,
Mares nas ruas, nas cidades, nos
quintais,
Mares nas serras, nas fazendas,
nos grotões,
Nos sorrisos, nos olhos, no
peito.
Mares indiscutíveis. Mares de
Minas”
(MM, p. 81).
As estradas líquidas estão abertas
A âncora caiu, espanando água
Vem!
Eu te mostrarei um país à beira-mar
(MM, p. 90-95-87).
Desenho urbano – nesta
categoria a poesia é concebida como uma planta da cidade de São João del-Rei
onde, no desenho urbano, escrevem-se, quotidianamente, o poeta, a vida e o
mundo. A poesia se apresenta, portanto, como um labirinto de becos, ladeiras,
intervalos de sinos e procissões com seus cheiros atemporais; território que
deverá ser transitado com a calma, a sofreguidão, por vezes, e a paixão,
sempre, de quem se propõe ler o poeta que a cidade secretamente mantém escrito.
Eu te espio com os olhos molhados
Tuas ondas mais secretas
Estouram no meu peito
Bravio mar portátil
Com gosto de pedra-sabão
Infeliz do que não te enxerga
Mar Lenheiro e oceano
(GA,
p. 105).
Quinta categoria: a pulsão do olhar
no corpo da escrita – o olhar é um dos componentes da reconstrução do
passado por meio de uma seleção de fragmentos deste tempo realizado à luz do
presente que mais caracteriza a poética de Oranice Franco, no sentido da
possibilidade de se ler nela e por ela a imagem impressa de um “espiar” quase
que contramão do “olho ubiquitário” (VIRILIO, 1993, p. 55), dado o
descompromisso, talvez o descaso mesmo do poeta pelo tempo.
Trago Minas presente
Nos olhos, na boca, no coração.
Minas é dia, noite, amplidão
É universo envolvente
(MRM,
p. 15).
A sexta categoria é a exaltação de Minas – não se trata apenas
da apresentação de um painel de uma Minas cujo território, cultura e tradições
tornam-se espaços de dramatização de revisitações, saudades e desejos, mas da
invenção mesmo de uma Minas que se faz pela função fabuladora da literatura.
Vamos embora para Minas, menina
Tenho lá a Fazenda Três Amores
Com dez alqueires de boa terra
E uns cinquenta eleitores
(MRM,
p. 17).
E, por último, um amor irrealizado:
não erótico? – categoria em que o poeta se mostra um cuidadoso esmerado
pelo velamento de uma poética a entrelinhas, numa espécie de amor feito e
mantido a olhares cuja função é desinventar as distâncias que a cidade insiste
multiplicar; um amor de “pura flor bissexta” (PM, p. 59), que se revela e
dissimula; pulsa e se aquieta; é carne concebida sintaxe.
b) Conto
1 - Lagoa Mansa
(Conquista, 1972)
2 - Estórias de
Lagoa Mansa (Conquista, 1984)
3 - Tem peru na
Lagoa (Conquista, s/d)
4 - Histórias de
Lagoa Mansa (Gráfica Santa Luzia, 1998).
Muito do projeto literário de
Oranice Franco ganha consistência nesta trilogia de quatro livros. É que os
três livros ganham uma nova versão em Histórias
de Lagoa Mansa, de 1998, publicada aqui, em São João del-Rei, pela
Gráfica Santa Luzia, numa tiragem, segundo Eic Ponty, de apenas 50 exemplares distribuídos entre
amigos, com o restante queimado pelo próprio escritor. Este livro, na verdade,
se trata de uma reescrita de 29 contos selecionados da trilogia.
Lagoa Mansa é a cidade criada por
Oranice, e que mantém relações territoriais, históricas e culturais, de modo
especial com Minas Gerais e São João del-Rei, bem como outras cidades de
afinidade com a história pessoal do escritor, entre elas, Lima Duarte (sua terra
natal), Aiuruoca (terra natal de dois amigos caros a Oranice, o escritor Dantas
Mota e o médico Dr. Júlio Sanderson e sua esposa dona Lilu) e Baependi que as
pesquisas ainda não identificaram a sua relação.
“Lagoa Mansa não é uma impertinência geográfica”. Assim se abre o livro Tem
peru na Lagoa, de Oranice Franco, supostamente editado pela Editora Lagoa
Mansa. Num jogo ficcional que nos revela, primeiro que o livro, na verdade é
uma publicação sem data da Editora Conquista, do Rio de Janeiro, de propriedade,
à época de Sebastião Herzen, amigo e, de certa forma, vamos dizer cúmplice de
Oranice neste jogo em que ficção e realidade se entrelaçam. Segundo que
Oscrimar Fontoura, a quem é dado a autoria da frase, trata-se, na verdade, de
mais do que apenas um pseudônimo, um caso de heteronímia inacabada, de Oranice
Franco. E, fundada a cidade imaginária de Lagoa Mansa, certamente, o núcleo do
processo de criação de Oranice Franco, produz-se a ficção da ficção que é o
próprio poeta Oranice. Ele é, portanto, a principal, a mais importante ficção
produzida pela pertinência geográfica de Lagoa Mansa.
Em “Dados sobre Lagoa Mansa” constante o livro Lagoa Mansa, de 1972, o primeiro da trilogia, fixa-se uma cientificidade
inventada para a estatística geográfica sua pertinência:
Posição: Latitude Sul – 20º, 6’, 29” – Longitude Oeste do
Meridiano do Rio de Janeiro – 7º, 5’
– Longitude W. de Greenwich 43º, 15’,
39”
Temperatura média: 17º
Situação: ocupa as margens do Rio
do peixe e se espraia por todo o Vale do Segredo, até os contrafortes da Serra
da Paula, na formosa Várzea da Lilu, que encantou Saint-Hilaire.
Salubridade: a melhor do País
(segundo os moradores).
O Município se limita com as
cidades de Aiuruoca, Baependi, Lima Duarte e São João del-Rei.
Vias de Comunicação:
estrada-fazendeiral, com as porteiras do Adelgiso para abrir e o trenzinho da
Rede Mineira de Viação, duas vezes por semana.
População da cidade: 8.525
habitantes, segundo Censo de 60.
Distritos: São Tomé, Carrapicho,
Quatrolhos, Orvalhos e Vermelho.
Principais atividades: leite,
queijo e cachaça.
Principal produto de importação:
cachaça.
Ora, não é difícil perceber certos
elementos explícitos desta pertinência geográfica e cultural, ficcionalmente
constituída com a cartografia geográfica e cultural de São João del-Rei. Ainda
estamos procurando realizar um mapa cartográfico a partir destes dados. Porém,
movido por uma curiosidade de estudioso que vai sendo, aos pouco, como diz
Jacques Derrida, em O mal do arquivo: uma
impressão freudiana (2001) possuído por uma espécie de “mal” que “é arder
de paixão; é não ter sossego; é incessantemente, interminavelmente procurar o
arquivo onde se esconde” (2001, p. 118), pudemos constatar que a soma dos
traços cartográficos imaginados resultam na imagem de um triângulo. Não por
coincidência, uma citação de Minas Gerais. Aliás, o Eric se refere à criação da
comenda Lagoa Mansa cujo emblema era um triângulo vermelho numa dupla citação
dos territórios da própria cidade Lagoa Mansa e de Minas Gerais. Claro que há outras
conexões que nos provocam outras leituras.
No âmbito de toda essa
fundamentação, destaco ainda: Oranice criou Lagoa Mansa e fez dela o território
propício à perpetuação pela escrita de seus amigos e da história e cultura das
cidades que mais amou. Para mim, numa confissão a que se refere Fernando Pessoa
ao dizer que “a literatura é a confissão de que a vida só não basta”. Assim,
impõe-nos um trabalho enorme, quase sempre prazeroso, mas não sem alguns
momentos de angústia quando começamos a entender que o importante talvez nem
seja identificar todos e cada uma das personagens apontando-lhes o
correspondente na vida real. Mas procurar compreender que esta multiplicidade
de labirintos entre história e literatura, realidade e ficção, na verdade são,
mais do que significam, repetindo Castello: “as janelas descerradas, os
caminhos abertos e a fundação de mundos novos pelos escritores que não dão
lições, nem defendem teses”.
Todavia, gostaria de apontar um pequeno conjunto de personagens e
fronteiras geográficas que mostram as relações intrínsecas entre Lagoa Mansa e
seus vizinhos geográficos e histórico-culturais.
Além, do maestro Vicente Valle que chega ainda na infância em Lagoa Mansa e lá fixa
residência, aprende música e vira maestro; de Altivo Sette, o seresteiro que
sempre termina suas serestas nas proximidades da casa de Maria Oliva, a deusa
de Lagoa Mansa – para o escritor são-joanense, amigo de Oranice Franco, Ronaldo
Simões Coelho, conforme consta do acervo de Oranice carta data de 1972, não passava
de uma “maria-azeitona”, numa alusão a uma fala personagem João Barbeiro que
mantinha no seu estabelecimento um garrafão de pingo e vidro de azeitonas e
vivia repetindo que “Gosto de beber comendo oliva”, referindo-se maliciosamente
a Maria Oliva. Dos amigos Ghiaroni (citado como Artidoro, que é o nome próprio
de poeta Giuseppe Artidoro Ghiaroni), Pedro Anísio, Dantas Mota, Lourenço
Dantas, Padre Lopes; do Dr. Euclides Garcia Lima proprietário do Tidinho’s Bar em Lagoa Mansa. Além
desses, dois casos específicos: o de João Lobosque Neto, popularmente conhecido
em São João
del-Rei por Joanino, fã de Carlos Gardel, amante de tango e proprietário do bar
“O Bife de Ouro” e que aparece em Lagoa Mansa como
João Brasil, Joãozito e posteriormente, Juanito, igualmente fã de
Gardel, amante de tango e proprietário do bar “El Bandonéon de Oro” e que num
cruzamento de estudos realizados por Sirley Vilela, sob a orientação da
Professora Drª Eliana Toletino – Jornal
do Poste: resgate da memória cultural são-joanense, levou-me a suposição de
que possivelmente se trate da mesma pessoa, de um caso típico e de certo modo
até explícito de escrita da vida. Inclusive o gesto de ouvir as rádios da
capital de madrugada e resumir as principais notícias num quadro negro, como
consta da gênese histórica do “Jornal do Poste”, para serem lidas pela
população, é um gesto comum tanto a Joanino quanto a Juanito. A descrição
física de Juanito lida com uma fotografia de Joanino nas mãos nem parece se
tratar de pessoas diferentes. E são? “Alto, elegante, grandes costeletas,
cabelos negros com muita brilhantina, o milongueiro João Brasil é nome errado
para quem ama Gardel.”.
Outra passagem é quando o narrador do conto “Maestro Vicente”, na edição
de 1981, e “O aluguel”, na versão de 1998, conta a volta da locomotiva 314 da
Rede Mineira de Viação em que o maquinista cumprindo uma promessa feita ao
maestro Vicente promete:
“Vou provar.
Depois de amanhã, volto do sertão. Meia-noite em ponto, entro no Bairro da
Fábrica. Se houver atraso, dou vapor, se adiantar, manero. Chova ou faça sol, à
meia noite em ponto começo a apitar. A “314” tem garganta de ouro. Vicente abriu as
três janela do quarto. Os telhados coloniais se revelaram tocados pelo luar; lá
a igreja de São Francisco era puro cartão-postal; mais perto, a Ponte da Cadeia
curvada sobre o Lenheiro como a lhe ouvir as mágoas”.
As cidades se estabelecem numa transterritorialidade. E, assim, esse
espaço múltiplo é que constitui Lagoa Mansa numa pertinência geográfica que faz
transitar por seu território a territorialidade tanto geográfica quanto
histórica e cultural das cidades que Oranice elege para a criação de um projeto
literário, que, certamente, deverá ser compreendido como uma cartografia dos
movimentos geográficos, históricos e literários na construção da pertinência da
memória cultural. E, aqui, penso que até mais do que a confissão, Oranice luta
pela construção diária da vida insuficiente, pela palavra.
c) Literatura
Infanto-Juvenil –
Oranice publicou dezessete títulos infanto-juvenis. Que tipo de literatura é esta produzida por Oranice? A gênese dessas histórias estaria nas histórias contadas pelo Tio Janjão que foram ao ar pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro entre 1953 e 1955? Como a crítica leria hoje estes textos? Não há respostas senão no trabalho árduo de pesquisa. Os títulos são:
Oranice publicou dezessete títulos infanto-juvenis. Que tipo de literatura é esta produzida por Oranice? A gênese dessas histórias estaria nas histórias contadas pelo Tio Janjão que foram ao ar pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro entre 1953 e 1955? Como a crítica leria hoje estes textos? Não há respostas senão no trabalho árduo de pesquisa. Os títulos são:
1 – São
Francisco, rio rico (1971);
2 – O touro
valentão (1972);
3 – O menino que
voa (1973) em parceria com Mary França;
4 - João Violino (1979);
5 – O homenzinho
verde (1980);
6 – O peixinho
arteiro (1982);
7 – O cavalo
Alecrim (1986);
8 – Amazonas,
rio-mar (1986);
9 – O burrinho
que ria (1986);
10 – O
cachorrinho de sangue-azul (1987);
11 – O urubu
cantor (1989);
12 – O pavão
orgulhoso (1999);
13 – O coelhinho
mágico (s/d);
14 – A sapa
sapeca (s/d);
15 – Niquinho
(s/d);
16 – A festa do
grilo (s/d);
17 – O macaco Simão
rifa um leão (s/d).
Reitero que este aspecto da obra
literária de Oranice Franco ainda foi objeto de estudo. No entanto, cabe
destacar o reconhecimento desta vertente de sua produção com destaque em duas Feiras
Internacionais – de Frankfurt, na Alemanha e Bolonha, na
Itália.
d) Crônicas da
Cidade
Aproximadamente 2.500 Crônicas que foram lidas diariamente na Rádio
Nacional, do Rio de Janeiro, por César Ladeira, Álvaro Aguiar e Paulo Gracindo,
no período de 1950 a
1964. Trata-se de um olhar sobre o quotidiano carioca, porém, um território
repleto do “espiar” absolutamente peculiar a Minas e aos mineiros.
Um período histórico importante, compreendido por um rico e extenso
material, que também ainda não foi objeto específico de estudo.
e) Novelas
(Mário Brassini; Ghiaroni; Pedro Anísio; Alziro Zarur)
1 – O gato de
botas (1945-1946);
2 – O noivo
Menelau (19745-1946);
3 – Histórias do
Tio Janjão (1953-1955)
4 – Meu pai, meu
maior amigo (1954).
Este material está reunido em vários
volumes de programas encadernados por Oranice Franco, material que, sobretudo,
destaco Histórias do Tio Janjão pelo poder de divulgação e incentivo da leitura
neste país com fama de que não lê.
Enquanto escrevia este texto, tive a
grata satisfação de saber que num gesto de compreensão da função social do
acervo e da necessidade de democratização do acesso a ele, o poeta Eric Ponty,
curador do acervo de Oranice Franco concedeu a Heloisa Baumgratz Lopes Agostinho,
prima de Oranice Franco, permissão de pesquisas da obra do escritor. Recebemos
com alegria tanto o gesto do Eric quanto aos estudos de Heloisa que certamente
irão somar aos esforços pela pesquisa, preservação e divulgação da obra de
Oranice Franco.
II –
Correspondência
A correspondência de Oranice Franco
– na sua maioria passiva – é um elemento relevante à compreensão de seu
processo de criação pelo que mantém dos movimentos de sua escrita. Aliás, como
diz Sônia Van- Dijck em Carta de Gilberto Freire: um instrumento de pesquisa, “As cartas conservam testemunhos de processos históricos, experiências de
vida e revelam a trama das relações políticas, culturais e literárias, não só
entre os diretamente ligados à documentação específica, mas, inclusive, entre
os outros que nelas estão mencionados; na medida que trazem referências a
outras personalidades, noticiam atuações individuais, traduzem, quase sempre,
atitudes criticas do remetente e do destinatário”.
A rigor, a correspondência de Oranice Franco pode ser classifica em três
vertentes:
a) Cartas que
recebia dos ouvintes, disseminadas em 12 pastas organizadas por Oranice relativas
aos programas produzidos em que iam ao ar pela Rádio Nacional, do Rio de
Janeiro, bem como pelas radionovelas, com destaque para Histórias do Tio Janjão, que eram tomadas pela leitura de crianças
alunas de escolas de várias partes do país. Observa-se, neste contexto, certa confusão
que se fazia entre Oranice e o Tio Janjão, tanto que muitas cartas eram endereçadas
para a Rádio Nacional e diretamente para o Tio Janjão.
b) Cartas e
pequenos cartões de escritores com quem Oranice e sua própria obra mantiveram
contato. A carta tomada como território de crítica literária – cartas de Carlos
Drummond de Andrade, Tristão de Atayde; Manuel Bandeira, Murilo Rubião, Dantas
Mota, Murilo Araújo e os irmãos Marcos e Mário Donato, Rosário Fusco e Ronaldo
Simões Coelho; Fausto Cunha. Um material que comprova e permite ao pesquisador
investigar a recepção da obra literária de Oranice tanto pelo leitor comum
quanto pela crítica especializada.
c) Cartas de
cunho mais pessoal, onde se lê a amizade, o respeito, o apego que os amigos
tinham por Oranice Franco. Encontramos neste conjunto mais votado à questão da amizade as cartas de Zé Mauro, que
demonstra ser um amigo muito querido por Oranice que mistura muito humorismo
corriqueiro com pinceladas de ironia de teor altamente literário; cartas e
cartões de pessoas importantes da sociedade são-joanense, como Fábio Guimarães,
Maestro Vicente Valle, Tancredo de Almeida Neves, Dr. Euclides Garcia,
Sebastião Herzen – seu editor – Editora Conquista, do Rio de Janeiro e Sérgio
Aguiar que tratava com Oranice acerca da filmagem aqui em São João del-Rei do texto
Marcha para Deus, cujo andamento não
se sabe. E, finalmente cartas de Holdemar e de Ricardo Galeno ambas no sentido
de convencer Oranice Franco à utilização de meios mais modernos e eficazes de
distribuição e de divulgação de sua obra, de colocá-la no âmbito das leituras
especializadas que envolviam também editores. E destacam:
“Pena, Oranice que você seja um
sujeito do Rádio. Um ausente das futricas do Vermelhinho (bar que reunia
literatos, homens de revistas e suplementos literários e editores). Um ausente
do cochichos vespertinos da Zé Olympio...” “ ...devias publicar em revista que é o melhor meio de divulgação no
interior. Te lanças nas revistas e serás mais lido pela crítica do que
publicando livros que poucos lêem”.
Aqui me permito mais um parêntese para conclamar a todos nós,
pesquisadores de escritores, poetas, artistas e intelectuais de São João
del-Rei para que façamos um esforço conjunto, se possível, pela divulgação da
obra destes apaixonados e estudiosos da cultura são-joanense. Há inclusive uma
Lei Municipal que criou a obrigatoriedade da divulgação e acesso dos alunos aos
escritores e artistas são-joanenses. Há ainda, segundo o confrade Professor
José Antônio Sacramento um projeto já iniciado com os confrades Professor Oyama
Ramalho e Professor José Maurício de Carvalho no sentido de publicação de
autores são-joanenses. Não poderíamos criar um seminário anual de estudos
destes autores?
O meu trabalho até aqui tem sido resgatar, não apenas a obra publicada de
Oranice, mas o seu processo de criação. É que desde o início meus estudos têm-se
valido da crítica genética. Longe de pensá-la do ponto de vista de um balanço
das teorias críticas do século XX, procuro entendê-la, preferencialmente, como
uma abordagem, voltada tanto para a tentativa de um mapeamento das cartografias
do itinerário da escritura quanto para o processo de criação artística. Assim,
não apenas o literário, a obra definida, mas o processo de criação artístico
passa a ser contemplado e entendido a partir da articulação de uma
multiplicidade de elementos, como o prototexto, os rascunhos, a
correspondência, os manuscritos, as plantas, os mapas, enfim, tudo o que o
escritor reúne, a rigor, em torno de sua obra e que revela os bastidores da
criação. Neste sentido, soma-se a este abordagem da crítica literária, o
pensamento filosófico de Gilles Deleuze, filósofo francês (1925-1995),
sobretudo quanto à apropriação do conceito rizoma aos estudos do acervo, num
entendimento de que no acervo não há e nem se procura um eixo genético, mas
multiplicidades de linhas e elementos e elementos que não cessam de se
conectarem entre si e com a rede maior da história, da literatura e da cultura,
num movimento de contínuo deslocamento, incompletude e renovação. O rizoma,
segundo Deleuze “se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre
desmontável, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e
saídas, com linhas de fuga” (DELEUZE, 1995, p. 33).
Para Deleuze o objeto da filosofia é criar conceitos e não falar sobre o
que quer que seja, assim como Lewis entende que ao escritor compete sempre, não
lições, nem defesas de teses, mas a fundação de mundos novos. Esta vertente tem sido fundamental à leitura
que estamos empreendendo da obra de Oranice Franco, neste desafio de considerar
o literário das margens para o centro da Literatura e sobretudo quando
ressaltamos o caráter de provisoriedade e inacabamento que sempre caracteriza
esta vertente, numa compreensão de que “escrever é mesmo algo da ordem do
devir, sempre inacabado, sempre em via de fazer-se”.
Deste modo, a crítica genética em fontes primárias tem se firmado como um
caminho propício ao estudo do acervo de Oranice, tendo em visa a valorização
não apenas do conjunto de sua obra publicada, mas, sobretudo, do seu texto
amplo, em que mais do que a retomada do escritor, poeta, jornalista e
radialista, retoma-se a investigação de seu processo de criação que revela o
artista sem separá-lo do homem.
No bojo do viés deste olhar a literatura das margens para o grande
centro, ainda se destaca um aspecto que me parece relevante no estudo da obra
de Oranice e tanto caracteriza a própria literatura brasileira que é a questão
da valorização do simples, dos pequenos fragmentos do cotidiano; das pequenas
verdades que se vão repetindo e escrevendo. Aliás, neste sentido assim diz Adriana
Lisboa:
Poderíamos
considerar essa estética do pequeno uma janela da literatura pós-moderna, já
que nossa época observa e perpetra um movimento no sentido da descanonização,
do apagamento do eu, da hibridação e, como já foi dito, da multiplicidade.
(LISBOA,
2001, p.1)
Consciente de que trabalhando com acervo, estamos sempre envoltos do
transitório e do inacabamento, apresento, aqui, o resultado, ou a rigor,
melhor, a fase em que se encontra a nossa pesquisa:
1 – Monografia - Lagoa Mansa: uma escritura poliédrica na matriz
genética do acervo de Oranice Franco (2000), apresentada ao Curso de
Pós-graduação em
Estudos Literários na UFSJ
(trata-se de um panorama inicial do acervo de Oranice Franco;
caracteristicamente uma descrição dos elementos do acervo).
2 – Publicação no Jornal A Gazeta de São João del-Rei - Oranice Franco:
uma paixão por São João del-Rei. A Gazeta de São João del-Rei, São João del-Rei,
ano IV, n. 173, p. 4, 2001. (uma versão apropriada do texto apresentado ao
Programa do Curso de Pós-graduação).
3 – Publicação na revista
Vertentes da UFSJ – O acervo de Oranice Franco: um panorama. Vertentes. São
João del-Rei, n.18, 9.39-45, 2001. (versão revista e ampliada dos dois
primeiros textos e numa publicação científica).
4 – Dissertação - “O processo de criação literária de Oranice
Franco: um estudo genético”, apresentado ao Programa de Pós-graduação em Estudos Literários
– Mestrado em Teoria da Literatura na UFMG (2004) (trata-se de um
estudo mais completo sobre a obra de Oranice, cujo interesse foi o resgate, a
inclusão e o estudo de sua obra que aponta para uma nova vertente dos
literários, numa abordagem da multiplicidade da literatura, história e memória
cultural).
5- Publicação -
Mar lenheiro, um cais, uma Minas, o mundo: considerações sobre a poesia de Oranice Franco. Vertentes. São João del-Rei, Edição Especial – 20 Anos, p. 80-96, 2007. (texto mais recente sobre a obra de Oranice Franco – uma abordagem extensa de todos os seus 5 livros de poesia, ressaltando nesta leitura o aspecto da memória e da transterritorialidade (geográfica e poética) como elementos fundamentais de sua produção poética, além do diálogo de sua poesia com a poesia de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Mário de Andrade.
Mar lenheiro, um cais, uma Minas, o mundo: considerações sobre a poesia de Oranice Franco. Vertentes. São João del-Rei, Edição Especial – 20 Anos, p. 80-96, 2007. (texto mais recente sobre a obra de Oranice Franco – uma abordagem extensa de todos os seus 5 livros de poesia, ressaltando nesta leitura o aspecto da memória e da transterritorialidade (geográfica e poética) como elementos fundamentais de sua produção poética, além do diálogo de sua poesia com a poesia de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Mário de Andrade.
6 – Publicação -
O acervo como rizoma. Em tese. Programa de pós-graduação em letras: em estudos literários (Pós-Lit). FALE – Faculdade de Letras da UFMG. Belo Horizonte, ano 9, v. 9, 2005.
O acervo como rizoma. Em tese. Programa de pós-graduação em letras: em estudos literários (Pós-Lit). FALE – Faculdade de Letras da UFMG. Belo Horizonte, ano 9, v. 9, 2005.
No momento, escrevo simultaneamente sobre o livro Gostamos do Azul, numa leitura sobre o itinerário do “Noturno de
Belo Horizonte”, um poema de Mário de Andrade pela cidade da poética de Oranice
Franco, um estudo da cartografia de Lagoa Mansa, tomada do ponto de vista de
espaço como categoria relacional e um ensaio, abordando o conto Ás de Ouro” do
livro Histórias de Lagoa Mansa (1998) e Dom Casmuro, de Machado de
Assis, no que se refere à questão da relação entre adultério, adulterar e
adúltero, tomando como palco um suposto adultério de que tanto Capitu quanto Maria
Oliva acaba sendo acusada.
Penso que Oranice Franco criou um projeto literário que pode ser lido
como uma espécie de contramão do que Machado de Assis realizou em termos de
criação literária.
Enquanto o projeto de Machado de
Assis trabalha sempre a questão dos universais
que, de certa forma, pode ser lida no exercício da vida humana e chega ao particular de suas personagens que
habitam quase sempre o Rio de Janeiro, que transita do século XIX para o século
XX.
Oranice Franco, num projeto,
aparentemente mais humilde, parte do âmbito do particular, dos homens de sua
cidadezinha imaginária – Lagoa Mansa – geográfica e culturalmente de
pertencimento no território de Minas Gerais – para atingir, no caso específico
do conto que se constitui no objeto deste estudo comparativo – “Às de Ouro”
(1998, p. 132-137), os mesmos universais
de Machado de Assis.
Não se trata de uma reivindicação
ingênua e despropositada de elevar Oranice Franco à importância de Machado de
Assis. Menos ainda de tratar o texto machadiano levianamente, como se o pudesse
esvaziá-lo de sua significação.
Por outro lado, não se propõe também
a qualquer concordância com um tipo de leitura que se acha no direito envolver
o texto de Machado numa redoma que se ergue em pedestal onde seria preservado,
intocável, inquestionável, até porque se assim se tivesse procedido, em
qualquer tempo, jamais teria chegado e permanecido até nós. Muito menos
produzido o fascínio, o desafio e a sedução de que continua capaz sobre
leitores e estudiosos.
Assim, insistirá a minha leitura neste
aspecto da ambigüidade presente tanto no texto de Machado de Assis quanto de
Oranice Franco e que é constantemente atualizado pela pluralidade de leituras
que sua escrita, mais do que apenas permitir, suscita ininterruptamente.
Meu interesse pela Literatura passa sempre pelo processo de criação e não
apenas por esta ou aquela obra isoladamente. Por duas razões: primeiro, porque
como já salientava Maikovki em 1926 “... a própria essência do trabalho sobre
literatura não reside em um julgamento das coisas feitas [...], mas antes em um
justo estudo do processo de fabricação”; segundo, porque o estudo
especificamente do acervo de Oranice Franco demonstra essa necessidade de que,
ao lhe resgatar a obra, fosse considerado sobremaneira o seu processo de criação
pelo que apresenta de uma intricada rede de conexão entre história e memória
cultural como dois aspectos relevantes de seu projeto literário.
O acervo de Oranice Franco demonstra que ele foi um escritor, poeta, um
intelectual que, malgrado o seu comportamento arredio às badalações literárias,
tinha uma consciência nítida de que não apenas seus livros e talvez eles
isoladamente nem tanto, mas o seu processo de criação seria objeto de estudo.
Tudo demonstra um rigor metodológico – os recortes de jornais e revistas seguem
as exigências da moderna referência bibliográfica; as correspondências
devidamente separadas e identificadas. No entanto, sabemos, pelo curador do
acervo Eric Ponty, de certa destruição de parte do acervo pelo próprio Oranice
que teria doado a amigos livros, revistas e jornais, bem como até posto fogo em
alguma parte. Mas até que ponto confiar nesta queima? Não seria ela mais um
elemento de seu processo de criação? O que teria queimado, se de fato houve
esta queima?
Por outro lado, também não foi um ser humano com quem a convivência teria
sido difícil por este comportamento arredio. Pelo contrário, tantos amigos e a
própria escrita provam que era um amigo por quem os amigos mantiveram sempre um
enorme carinho e apreço e por quem mantém muita saudade. Aqui estão Dr.
Euclides, D. Wainer Ávila, Eric Ponty, que conviveram com ele. E por falar em
saudade, Oranice era um saudosista das pessoas, do tempo, da cidade, de tudo e
todos que circundavam a sua vida. E acho que vou usar sim – “por falar em
saudade por anda o meu amor?” – para me referir à paixão de que Oranice sempre
cuidou desviar os olhos e o interesse alheio, mantendo-a disseminada pelos seus
textos. Tanto que um dos aspectos nítidos de seu projeto literário demonstra
claramente seu apreço por esta contínua visitação ao poço da memória. Alegre,
boêmio, amante de Gardel e de um bom tango. Amava as serenatas que ainda mantêm
fios esparsos por esta cidade que lhe inspirou a fundação de Lagoa Mansa e por
cujos territórios habitaram sempre a música de Vicente Valle, o seresteiro que
terminava suas serestas sempre próximas da casa de Maria Oliva, a deusa
desejada de Lagoa Mansa. Aliás, cabe aqui, perguntar, que paixão, que mulher
inspira e se escreve em
Maria Oliva?
Desapegado dos bens materiais que a vida e a profissão lhe
proporcionaram, refiro-me tanto à doação – dispersão – de sua biblioteca no Rio
de Janeiro e aqui em São João
del-Rei entre os amigos e interessados, quanto a outras doações feitas a
entidades sociais e culturais de São João del-Rei e que se empenham na promoção
humana e na valorização da cultura. Entre outros aspectos de sua vida que vão
se revelando na medida em que as pesquisas e a divulgação de sua obra dão ares
de ganhar as ruas desta cidade que ele tanto amou de paixão.
Daí a característica desse olhar crítico que se deslocando do interesse
pela obra propriamente dita, o livro publicado, abrange os “bastidores da
criação” que traz à tona “o trabalho braçal e intelectual de noites a fio,
revelado através dos manuscritos, distantes, assim, do mito da espontaneidade e
da inspiração que cercam a invenção literária”. Ou seja, a preocupação crítica
passar a ser com o processo de criação, incluindo os seus movimentos e o que
reúne sob diversas naturezas e que informa a obra literária. Não fosse por esta
abordagem crítica, nominada crítica genética, por sua dedicação à gêneses da
criação, mais dificilmente poderíamos estar aqui estudando a obra de Oranice
Franco.
Gostaria de encerrar esse texto
retomando uma troca recente de e-mail com a escritora Adriana Lisboa, quando eu
a cumprimentava pelo aniversário e me lembro de que lhe disse – que você
continue pelos seus textos escrevendo um mundo melhor. E ela em resposta diz –
e um mundo melhor... estamos na batalha, não?
Pode até não ser tudo, muito menos o
único, mas certamente um dos principais motivos que provocam e levam à escrita
– a invenção deste mundo melhor. Por isto Lagoa Mansa não é uma impertinência
geográfica, como a obra de Oranice Franco também não é uma impertinência
histórica, literária e cultural.
Espero que para além do cumprimento
de uma norma do estatuto desta Academia, ter dito um pouco do que venho
estudando acerca da obra de Oranice Franco. Num afã muito maior para que tudo
contribua para a provocação de outras pesquisas de sua produção literária, o
que justifica plenamente o seu nome como patrono da cadeira 40 desta
instituição da cultura de São João del-Rei. Se a sua obra honra a tradição
literária e cultural de São João del-Rei e de Minas Gerais, por sua vez a
Academia contribui com a grandeza desta obra proporcionando a ela espaço de
preservação, estudo e divulgação.
Hoje de modo especial, nesse momento
histórico, mas não unicamente hoje, talvez seja um dia em que Oranice Franco
receba um pouco de reconhecimento em troca do que continuará significando para
a história, a literatura e a cultura de São João del-Rei.
Obrigado pela honra de pertencer a
essa instituição tão importante no cenário da cultura de São João del-Rei.
Obrigado pela generosidade de dividirem literatura, história, cultura e amizade
com este cortador de cana de Urucânia que se aventura aqui cortador de
palavras.
Referências
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